
Sinto-me preso no meu proprio enredo, sem armas para escapar. Conto apenas com as minhas próprias forças. Onde estão elas? Estou sozinho, desamparado, frágil! Durmo sobre a minha própria consciencia, numa teia montada por mim sem saber por onde escapar. Olho para o céu e procuro a estrela mais brilhante, aquela que me dará o norte e me levará ao mar. Porque o mar? É no mar que procuro afogar os pensamentos e esperar que a brisa leve o inconsolável... mas não. A brisa faz questão de devolver, aquilo que eu quero esquecer. As ondas batem nas rochas tão intensamente como bate o meu coração. Procuro nas nuvens uma explicação, mas nem as nuvens me dão essa solução. Ali fiquei. Sobre mim a noite debruçava-se. Inquieto e fatigado, tento escutar o que o mar me diz, mas do mar ouvem-se apenas as frias e salgadas palavras de uma paixão à muito desvanecida. Debruço-me sobre a água na esperança de ver o meu reflexo. Mas não é o meu reflexo que vejo. Vejo sim o reflexo das estrelas, e numa constelação, vejo os teus olhos. Um calafrio percorre o meu corpo, que me faz gelar completamente! Não consigo desviar o meu olhar, algo me prende, algo não me deixa sequer respirar ! Subitamente deu-me uma vontade de mergulhar e nunca mais voltar. Lá no horizonte, uma luz intensa lança-se sobre mim! Estou completamente cego. Á memória vêm as recordações de uma vida a teu lado. De uma vida de prazer e fidelidade. De uma vida sublime, envolta em felicidade! Inesperadamente, a luz desvia-se para leste. Olho novamente para o reflexo dos teus olhos. Questiono-me com mil e uma perguntas, mas de nenhuma obtenho resposta. Sinto-me impotente e desvitalizado. Pelo meu rosto correm as lágrimas sedentas de angustia e inconformismo. Haverá esperança? Nem sei o que isso é. O meu coração projecta no olhar, uma paixão que não tem volta a dar. É o fim. Corro desesperadamente e, ao mergulhar, sinto que a água se tornou muito espessa e dura. Afinal tinha mergulhado na areia. Num ápice, olhei para o céu e procurei a razão do sucedido. Incrédulo, vislumbro apenas uma estrela, intensamente brilhante, que indicava uma direcção contrária ao mar. Diacrónicamente, do cimo das dunas ouço um chamamento timido, confundível com o som do mar. Mas ouço. Sigo então apressadamente, rumo à direcção inerente ao sussuro que ganhava cada vez mais força. Ao chegar perto das dunas, sobre elas nascia o sol, que me cegava fortemente e escondia de mim o que pela primeira vez me despertava curiosidade. Caio de joelhos, e coloco as mãos sobre a cara, e novamente as lágrimas escoam pelo meu rosto. Quando finalmente recupero a visão, eis que sobre mim, um vulto se sobrepunha. Senti um calor abrasador que me consumia inexplicavelmente. Num momento, senti poisar no meu ombro uma mão, como se de uma gaivota se trata-se, e que me arrefecia lentamente. Num acto brando e determinado, levantei a cabeça. Vi novamente os teus olhos, mas agora carregados de alento e ternura. Percebi progressivamente que estavas ali, mesmo à minha frente. Ergui-me perante a tua presença e, num acto de instinto e de compulsão, lancei-me nos teus braços e mergulhei nos teus lábios. Sabia que me estavas a conceder a oportunidade, não de refazer, mas sim de viver.
Vamos fugir da memória, seguir um novo rumo, construir uma nova história!
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