
Acordo subitamente, naquela manhã que vejo diariamente. Sinto o meu corpo humido e a minha cabeça parece rodopiar interruptamente. Pelos buraquinhos da persiana entram os feixes de uma luz, ainda timida, de um dia que promete ser alegre. Será mesmo? Nem um momento passou e, num abrir e fechar de olhos, começa a chover. O barulho da chuva preenche todo o meu quarto, e logo a vontade de correr para a janela se desvanece. Permaneço deitado na unica entidade que me consola, apesar de não passar de uma peça de mobiliário. Vejo passar cada minuto do meu relógio sempre na esperança de ve-lo correr mais depressa. Observo incompreensivelmente o branco do tecto, e rapidamente viajo numa reflexão que diariamente me acompanha, uma reflexão que deveria resolver as mil e uma coisas que me pesam e que não me deixam levantar. Num ciclo de pensamentos, surge um que todos os dias me faz levantar, quase repentinamente. O meu coração projecta no tecto uma imagem estranhamente fascinante. Transmite um sossego e uma tranquilidade estupendas, uma simplicidade unica, e transparece uma beleza confundivel apenas com a beleza da natureza. É a tua imagem! Num acto brusco e alarmante levanto-me, corro em direcção ao armário e procuro a roupa mais bonita e carismática que me emaranhe e me faça sentir num pedestral suficientemente alto que possa chamar a tua atenção. Desloco-me de forma tão elegante e tão certo das minhas decisões que o próprio vento faz questão de me levar ao meu destino. Chego tão entusiasticamente que deparo-me com o portão da escola fechado. Uma imensidão de pasmacidade invadiu-me, as pernas e os braços tremiam como se estivesse gelidamente numa arca. Sentia que estava num lugar que não era o meu, parecia que tudo estava descontextualizado, e imediatamente tentei perceber a situação. Ao fundo da rua, avistei um sujeito de capuz e bengala, deserguido perante a vida, que vinha no passeio contrário. Levantei o braço e, timidamente, chamei por ele. Uma, duas, três vezes! não obtive resposta. Quando se encontrava paralelamente a mim, o sujeito cruzou a rua e seguiu a minha direcção. Senti uma amargura tremenda da cabeça aos pés enquanto ele se aproximava. -Posso ajuda-lo? abordou-me serenamente o homem. Rapidamente voltei a ganhar consciência de mim e, friamente, perguntei lhe: - Tem horas que me diga? Um silêncio serrado e estranho abateu-se sobre nós e, finalmente obtive uma resposta. São 5 da manhã rapaz. E seguiu o seu caminho. De um momento para o outro a chuva intensificou-se, um vazio irrompeu por todo o meu corpo. Um sentimento de incompreensão e de angustia consumia-me! Perdi completamente o norte e uma imensa dor tomou posse de mim. Voltei para casa, cabisbaixo, encharcado da chuva e das lágrimas petrificadoras da minha tristeza. O meu consciente não aceitava os factos e, por mais que chora-se, a minha alma continuava suja. Enquanto a minha mente me culpava, o meu coração reivindicava uma culpa alheia, culpa essa inerente a uma paixão que há muito ansiava florescer. Era o amor, o culpado da minha dor e das minhas artrocidades. Voltei a deitar-me no consolo dos lençois que amarravam e amparavam a minha magoa. Ansiava desesperadamente pelo sono que, intimidado, fugia de mim. Olhei para o relógio, que contava 15 para as 7. Num demorado e progressivo reconforto, voltei a situar-me e o sono teve a cordialidade de me fechar os olhos. Não encontro a chave que te libertará do meu coração nem o argumento da minha própria razão. Será mesmo isso que procuro? Não sei. Sei apenas que sofro por ti, mesmo mostrando o lado risonho do sofrimento. Estou numa angustia encantadora, amarrado na expectativa, de poder fazer de ti, a mulher da minha vida.
ISSO TÁ PROFUNDO HEIN :p
ReplyDeletegostei :)
Muito bom Fachada.. \o/
ReplyDeleteGostei..
Abraço