Wednesday, May 12, 2010

O Belo está na Ilusão


Quero ver o mundo sorrir na minha direcção, gracejar nos meus pés, senti-lo girar debaixo de mim. Procuro ferverosamente subir encostas, escalar serras e montanhas. Chegar ao cimo, sentir o vento acariciar-me, desfrutar do nevoeiro e sentir que ninguém me vê! Sim quero! Deixarei lá a minha marca, para que todos possam saber que eu lá estive. Uma meta outrora traçada, e ansiosamente espero ve-la cumprida. Existe algo mais sentido do que ver uma infinidade de tenebrosas memórias deixadas para trás e que as mais bonitas ficarão para recordar? Sonho bem alto e não tenho medo de cair! É o prazer das coisas mais modestas que me fazem pular no cume, mesmo sabendo que não existe mais a escalar. Não procuro o paraiso, mas sim o meu lugar nas estrelas. Esse sei que existe e que lá estará guardado. Não há vento nem intempérie que me leve daqui! Quando um motivo suficientemente passivel de tentação me chamar, eu voltarei a descer. Mas não descerei como subi. Atirarei me de cabeça, mergulharei num infinito e numa imensidão, sempre na esperança de ganhar asas, aterrar em segurança, chegar cá em baixo e ver que o motivo que me levou a descer estava realmente cá! Mas se descer não voltarei a subir. A minha marca foi já deixada lá no cimo, e procuro agora conquistar, milha por milha, légua por légua, este mundo sujo e ao mesmo tempo belo. É a nossa casa, quer queiramos quer não. Percorremos um caminho que nos levará ao abismo, e tudo o que é bonito se perderá. Sou apenas mais um neste barco, perdido na nebulina, inconsciente da minha presença e do motivo que me leva a navegar. Amo tudo o que me é inerente e respeito o que não o é. Somos senhores do nosso destino, filhos da nossa inocência, cultivamos um futuro, moldado numa unica conveniência. O que nos resta? A Fé? o Amor? Não sei. Prefiro manter-me na minha valorosa ignorância.

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